“Fiquei quando outros me instaram a zarpar, e deixei que campos belgas fossem alagados para que o país não fosse tomado.”
Nasci em Bruxelas em 1875, um homem reservado que preferia uma linha limpa num mapa a um floreio num discurso. Depois da morte do meu tio Leopoldo II em 1909, a coroa me coube. Casei-me com Elisabeth na Baviera; criámos Leopold, Charles e Marie‑José. Mantinha proximidade com engenheiros e cientistas e, quando podia, com as montanhas. Um rei, pensava eu, devia ser exigente, constitucional e útil.
Em agosto de 1914, a Alemanha violou a nossa neutralidade. Recusei-me a abandonar o solo belga e assumi o comando direto do exército. No Yser, resistimos, auxiliados por inundações deliberadas que deteram o avanço. Fui com frequência às trincheiras; governa-se mal a partir de uma sala distante. Com os Aliados, coordenei firmemente, mas protegi a nossa independência. A Bélgica não devia ser sacrificada sem propósito, nem decidida sem consentimento.
Após o Armistício, trabalhei para unir um país ferido. Em 1919 adotámos o sufrágio masculino universal no âmbito de uma monarquia constitucional reforçada. Passo a passo avançámos na igualdade linguística, culminando na neerlandização da Universidade de Gante em 1930. A solidariedade social e a renovação industrial importavam-me mais do que o aparato; queria instituições que sobrevivessem às bandeiras da vitória.
Valorizava a descoberta. Em 1928 apoiei a criação do Fundo Nacional de Pesquisa Científica. Nesse mesmo ano, Elisabeth e eu fomos os primeiros monarcas belgas reinantes a visitar o Congo, onde insisti em melhorias na administração, nas infraestruturas e na educação, como um dever cumprido com humanidade. Quando podia escapar, escalava. Em 1934, em Marche‑les‑Dames, uma queda pôs fim à minha vida tão abruptamente como a face rochosa termina uma saliência.
Nunca comandei em 1914, ainda assim minhas tabelas ferroviárias marcharam exércitos pela Bélgica — e minha 'ala direita' tornou‑se uma lenda.
Começar a conversaPedi à França três anos de uniforme e depois passei quatro anos a guardar a sua Constituição numa guerra que eu não escolhi.
Começar a conversaHumiliei os Lords e superei generais, mas apertei a mão de Hitler em 1936.
Começar a conversaEnfraqueci o ímpeto em direção a Paris para salvar a Prússia Oriental — e disseram-me que perdi uma guerra.
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