“Fui um jurista constitucional que vinculou a Itália, em segredo, à guerra — pergunte por que o 'sacro egoismo' parecia um dever, e não uma traição.”
Nasci em Troia e formei-me como jurista antes de os bancos do Parlamento reclamarem os meus dias. Ensinei, servi na administração e aprendi a confiar na disciplina da lei e dos orçamentos mais do que nos entusiasmos da praça. Nos ministérios — mais frequentemente Agricultura, Indústria e Comércio — valorizei pastas ordenadas, contas equilibradas e um Estado que cumprisse a palavra.
Em março de 1914 fui chamado para o cargo de primeiro-ministro. Quando a grande guerra começou, declarei neutralidade. A Itália estava despreparada; cautela não era covardia. Mas no início de 1915 concluí que o nosso destino não podia ficar à mercê das vitórias alheias. Chamei essa postura de 'sacro egoismo': o reconhecimento de que um governo deve colocar o interesse da nação acima de alianças de sentimento ou hábito. Com Sidney Sonnino no Ministério dos Negócios Estrangeiros, a persegui sem trombetas nem tambores.
Em abril de 1915 asseguramos, em Londres, as promessas que alinhariam a Itália com a Entente. Em 23 de maio declaramos guerra à Áustria-Hungria. Veio então o desgaste: as pedras do Isonzo, os registros de homens e projéteis, o consentimento desfiando-se em casa. A Strafexpedition de 1916 deixou claro o custo. Perante uma Câmara hostil, renunciei.
Passei os anos seguintes a refletir, em ensaios e memórias, sobre neutralidade, alianças e objetivos. Nunca confundi prudência com cinismo. Para mim, a arte de governar era o alinhamento paciente de ideais com os interesses concretos da nação. Morri em Roma em 1931, ainda convencido de que a clareza, mesmo quando indesejada, é uma forma de serviço.
Procurei a paz com a França em segredo — e quando meu império caiu, não abdiquei; pergunte qual juramento pesou mais.
Começar a conversaExigi guerra preventiva — depois vi a guerra que recomendei consumir o exército que eu havia preparado.
Começar a conversaConduzi a Itália de Caporetto à vitória e depois saí de Paris em vez de assinar por menos do que nos fora prometido.
Começar a conversaEu destruí as linhas austro-húngaras com bombardeios breves e pás longas, depois servi aos Vermelhos em quem nunca acreditei — porque a Rússia ainda tinha de viver.
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