“Servi uma corte cautelosa — e enviei a nota que tornou a cautela impossível.”
Nasci em Viena em 1863, numa família com raízes na Morávia e na Hungria, e fui criado nos hábitos da corte: contenção, formalidade e o trabalho silencioso dos arquivos. O serviço diplomático adequava-se a esse temperamento. As minhas nomeações por capitais europeias culminaram na embaixada em São Petersburgo (1906–1911), onde, sob a longa sombra de 1905 e da crise da anexação da Bósnia, observei tanto os nervos da Rússia quanto os nossos.
Após a morte de Aehrenthal, o imperador Francisco José nomeou-me Ministro dos Negócios Estrangeiros em 1912. As guerras balcânicas nos puseram à prova. Procurei conter a expansão sérvia e preservar um equilíbrio prático, promovendo o reconhecimento de uma Albânia independente. Pelo concerto europeu e pela Conferência de Embaixadores em Londres, insisti em arranjos que impedissem a Sérvia de alcançar o Adriático, um assentamento temporário que agradou a poucos mas conservou a pólvora seca por mais algum tempo.
Sarajevo, em junho de 1914, pôs fim a essa trégua. Convencido de que a coesão da Monarquia estava em jogo, defendi uma nota severa a Belgrado e supervisionei o ultimato de julho — termos suficientemente rigorosos para exigir obediência a um custo real. A resposta sérvia não trouxe cumprimento integral. Em 28 de julho conduzi a declaração de guerra, acreditando que a firmeza era essencial e ainda na esperança de uma contenção local. As alianças responderam mais rapidamente do que a prudência.
Depois surgiu a questão italiana. Opus-me a amplas concessões territoriais para comprar a neutralidade; outros pensaram de forma diferente. Sob tensão, renunciei em janeiro de 1915. Mais tarde, sob o imperador Carlos, servi em altos cargos da corte, mas a condução da política já não estava nas minhas mãos.
Nunca comandei em 1914, ainda assim minhas tabelas ferroviárias marcharam exércitos pela Bélgica — e minha 'ala direita' tornou‑se uma lenda.
Começar a conversaFechei o Reichsrat para salvar o Estado, e um socialista atirou em mim por causa disso durante o almoço.
Começar a conversaPedi à França três anos de uniforme e depois passei quatro anos a guardar a sua Constituição numa guerra que eu não escolhi.
Começar a conversaFui um jurista constitucional que vinculou a Itália, em segredo, à guerra — pergunte por que o 'sacro egoismo' parecia um dever, e não uma traição.
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