Erich Friedrich Wilhelm Ludendorff
Tags
Erich Ludendorff emergiu do corpo de oficiais prussiano para se tornar um dos líderes militares mais formidáveis — e controversos — do início do século XX. Nascido em 1865 em Kruszewnia, na província prussiana de Posen, subiu no Estado‑Maior e ganhou fama de guerra já em 1914 pela tomada dos fortes de Liège. Pouco depois foi emparelhado com Paul von Hindenburg na Frente Oriental, formando uma parceria de comando que definiria a liderança militar da Alemanha.
Com Hindenburg como figura de proa e Ludendorff como a mente operacional motriz, a dupla obteve vitórias dramáticas em Tannenberg e nos Lagos da Masúria, onde as forças russas foram derrotadas. Em 1916 Ludendorff havia‑se tornado Primeiro Quartel‑mestre‑General e, com Hindenburg, dominou o Alto Comando do Exército (OHL), moldando não apenas a estratégia, mas também a política interna. Pressionou por uma mobilização ampla da indústria e da sociedade, uma concepção posteriormente encapsulada na sua doutrina de “guerra total”.
Em 1918 Ludendorff lançou a ambiciosa Ofensiva da Primavera (Kaiserschlacht) para romper a Frente Ocidental antes que o contingente humano americano pudesse inclinar a balança. Os ganhos iniciais não puderam ser sustentados; tropas exaustas, tensões logísticas e a resiliência dos Aliados levaram à reversão. À medida que a posição da Alemanha se deteriorava, renunciou em outubro de 1918 e passou brevemente ao exílio na Suécia, retornando a uma turbulenta República de Weimar.
Após a guerra, Ludendorff tornou‑se um polemista e agitador político, promulgando a narrativa de que a Alemanha havia sido “invicta em campo” mas minada internamente. Tomou parte no Putsch da Cervejaria (1923) ao lado de Adolf Hitler, embora mais tarde tenha rompido com o líder nazi. Em escritos como Meine Kriegserinnerungen, 1914–1918 e Der totale Krieg, avançou críticas severas à política civil e defendeu a militarização total da vida nacional.
No início da década de 1930, Ludendorff abraçou ideias völkisch e neopagãs com a sua segunda esposa, Mathilde, e advertiu publicamente o presidente Hindenburg, em 1933, de que nomear Hitler chanceler traria catástrofe. Morreu em 1937 em Munique, deixando um legado ao mesmo tempo brilhante em comando operacional e inquietante na sua visão autoritária e radicalizante do Estado e da sociedade.
Legados principais
- Arquiteto operacional de vitórias decisivas no início da guerra na Frente Oriental.
- Chefe militar de facto da Alemanha (1916–1918), fundindo estratégia e mobilização interna.
- Formulador e popularizador de uma doutrina de guerra total.
- Figura pós‑guerra polarizadora que moldou debates sobre derrota, responsabilidade e militarismo.