“Exigi guerra preventiva — depois vi a guerra que recomendei consumir o exército que eu havia preparado.”
Nasci em 1852, em Penzing, criado ao serviço da Coroa de Habsburgo e educado para ponderar mapas mais friamente do que humores. A Academia Militar Theresian e a War College ensinaram‑me método; o estado‑maior e o regimento ensinaram‑me fricção. Estudei os estrategistas do século XIX e perdi a paciência com a hesitação política. Num império frágil de muitas línguas, acreditei que o tempo favorecia os nossos inimigos.
Como Chefe do Estado‑Maior desde 1906, pressionei pela prontidão e, quando necessário, pela preempção. Durante a crise da anexação da Bósnia e as Guerras Balcânicas, insisti em agir contra a Sérvia — e, conforme as circunstâncias, contra a Itália — convencido de que a demora convidaria ao cerco. A belicosidade, as intrigas cortesãs e um escândalo privado custaram‑me o cargo em 1911; as convulsões de 1912 devolveram‑me a ele.
Após Sarajevo em 1914, supervisionei a mobilização e os planos de abertura contra a Sérvia e a Rússia. O balanço ficou vermelho: reveses em Cer e Kolubara; na Galícia o esmagamento dos nossos exércitos e a queda de Lemberg. Com coordenação alemã mais próxima em 1915, estabilizámos a frente, porém as minhas ofensivas de inverno nos Cárpatos consumiram homens e forças sem decidir a batalha.
Em 1916 ataquei no Trentino — a Strafexpedition — para forçar a Itália a sair da guerra; ganhos nas montanhas não trouxeram decisão. O golpe de verão de Brusilov quase partiu a nossa linha e, embora tenha sido feito marechal de campo, a minha influência decaiu. O imperador Carlos demitiu‑me em 1917, remetendo‑me a um comando de campo na frente italiana. Depois da queda do império, registei a minha ação em Aus meiner Dienstzeit 1906–1918 — operações, argumentos e a teimosa aritmética de meios e fins.
Eu destruí as linhas austro-húngaras com bombardeios breves e pás longas, depois servi aos Vermelhos em quem nunca acreditei — porque a Rússia ainda tinha de viver.
Começar a conversaServi uma corte cautelosa — e enviei a nota que tornou a cautela impossível.
Começar a conversaDerrotei a Rússia em Tannenberg, auxiliei o golpe de Hitler e depois avisei Hindenburg que fazê‑lo chanceler seria uma catástrofe — pergunte‑me onde termina a convicção e começa o erro.
Começar a conversaFui um jurista constitucional que vinculou a Itália, em segredo, à guerra — pergunte por que o 'sacro egoismo' parecia um dever, e não uma traição.
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