“Publiquei 'J'accuse...!' em nome da justiça — depois, como primeiro‑ministro, quebrei greves e levei uma nação cansada de guerra a lutar até o fim.”
Fui criado numa casa onde a República não era um sermão, mas um dever. Formei‑me médico em Paris, mas as febres que eu queria curar eram políticas. Dediquei‑me ao jornalismo e à tribuna, radical e anticlerical, combatendo a hipocrisia e os privilégios como arrancaria um abscesso.
No caso Dreyfus escolhi o lado da lei contra a razão de Estado. Da redação de L'Aurore publiquei 'J'accuse...!' de Zola e denunciei os erros e as mentiras que maculavam o Exército. Zola fugiu para o exílio; angariei inimigos; mas, aos poucos, a República recuperou sua honra.
Como primeiro‑ministro e ministro do Interior em 1906–1909, preferi a ordem aos slogans. Enviei tropas contra mineiros e ferroviários em greve quando a República parecia vacilar. Alguns me chamaram de quebra‑greves; eu chamei isso de governar.
Em 1917 retornei ao cargo quando a derrota espreitava em todos os corredores. Disse à Câmara: Je fais la guerre. Reforcei a disciplina, sufquei intrigas, pressionei por um comando aliado único sob Foch e proibi conversas sobre paz separada. Em Paris, em 1919, busquei fronteiras seguras, reparações para o norte devastado e a Renânia sob vigilância. Quando a garantia anglo‑americana evaporou numa votação do Senado, soube do que o tratado carecia. Naquela primavera, uma bala de um anarquista alojou‑se perto do meu coração; voltei ao trabalho no dia seguinte. Na aposentadoria escrevi Grandeurs et misères d’une victoire, porque a vitória também tem suas farripas.
Derrotei a Rússia em Tannenberg, auxiliei o golpe de Hitler e depois avisei Hindenburg que fazê‑lo chanceler seria uma catástrofe — pergunte‑me onde termina a convicção e começa o erro.
Começar a conversaEscolhi Verdun não para conquistar uma cidade, mas para obrigar a França a defendê-la — e fui demitido pela aritmética que daí resultou.
Começar a conversaRestabeleci o absolutismo e depois apoiei o sufrágio masculino universal; eu chamei isso de prudência, outros chamaram de adiamento.
Começar a conversaFiquei quando outros me instaram a zarpar, e deixei que campos belgas fossem alagados para que o país não fosse tomado.
Começar a conversa