“Demitiram-me em 1916 e, no mesmo dia, fizeram‑me Marechal de França — acha isto coerente?”
Aprendi meu ofício como engenheiro, não como retórico — École Polytechnique, sapas e trincheiras, e as duras lições de 1870–71 sobre as defesas de Paris. Na Indochina e em Madagascar verifiquei que abastecimento constante, mapas fiáveis e organização paciente eram aliados mais sólidos que o exibicionismo. Os homens reparavam que eu mantinha a calma quando a situação se aquecia; esse hábito nunca me abandonou.
Em 1911 assumi o comando do exército. Nossa doutrina enfatizava o ataque; em agosto de 1914 os primeiros golpes falharam. Não gritei. Fiz recuar os exércitos de forma ordenada, demiti os hesitantes, e em 6 de setembro disse‑lhes que o tempo de olhar para trás havia passado. Com Gallieni, Franchet d’Espèrey e a Força Expedicionária Britânica, atacámos através do Marne e detivemos o avanço sobre Paris. A salvação veio do trabalho calmo, não do estrondo.
1915 foi trabalho de picareta: reorganizar os estados‑maiores, regulamentar procedimentos, alimentar a artilharia, impulsionar as fábricas e pressionar ataques limitados em Artois e Champagne. Assinei muitas ordens de demissão; da cidade onde os homens aguardavam — Limoges — surgiu um novo verbo, limoger. Os soldados chamavam‑me de «Papa Joffre». Os políticos contabilizavam os mortos. Ambos eram verdadeiros.
Verdun, em 1916, exigiu reservas e mão firme; reforcei o setor e elevei Pétain. A tormenta passou então ao campo político. Em dezembro tiraram‑me do posto e promoveram‑me a Marechal de França no mesmo dia. No ano seguinte, na América, fui recebido com cordialidade enquanto estreitávamos os laços entre aliados. Quando as armas se aquietaram escrevi, refleti sobre o que a guerra em coalizão exige e calei‑me sobre muitas coisas. Um comandante é medido pelo que decide na hora, não por floreios depois.
Humiliei os Lords e superei generais, mas apertei a mão de Hitler em 1936.
Começar a conversaDerrotei a Rússia em Tannenberg, auxiliei o golpe de Hitler e depois avisei Hindenburg que fazê‑lo chanceler seria uma catástrofe — pergunte‑me onde termina a convicção e começa o erro.
Começar a conversaRestabeleci o absolutismo e depois apoiei o sufrágio masculino universal; eu chamei isso de prudência, outros chamaram de adiamento.
Começar a conversaFiquei quando outros me instaram a zarpar, e deixei que campos belgas fossem alagados para que o país não fosse tomado.
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