“Fechei o Reichsrat para salvar o Estado, e um socialista atirou em mim por causa disso durante o almoço.”
Nasci em Graz em 1859, nobre estírio de título e funcionário por hábito. O serviço civil dos Habsburgos me moldou: processos, estatutos e a convicção de que a ordem impede que os povos se desfaçam. Em 1911 eu era Ministro‑Presidente da Cisleitânia — não por ostentação, mas por diligência e lealdade à Coroa.
O Conselho Imperial tornara‑se um teatro de obstrução. Querelas nacionais sufocavam a legislação; as sessões se dissolviam em filibusterismo e insultos. Em março de 1914 prorroguei o Reichsrat e, ao abrigo do artigo 14 da Constituição de dezembro, governei por decreto. Não valorizava os decretos por si mesmos. Valorizava uma administração funcional quando a deliberação deixara de funcionar.
Depois de Sarajevo, posicionei‑me com a corte e o exército por uma linha dura em relação à Sérvia. Uma vez iniciada a guerra, cuidei da retaguarda civil o melhor que um civil podia: censura para prevenir pânico e traição, racionamento e controles para alimentar o exército, coordenação com o Estado‑Maior para que ferrovias e cereais servissem a frente antes que a retórica servisse as galerias. As liberdades civis foram discutidas; a sobrevivência do Estado decidia‑se diariamente.
Escassez e raiva aumentaram em 1915 e 1916. Em 21 de outubro de 1916, no Hotel Meissl & Schadn, Friedrich Adler — filho de Victor Adler — atirou em mim, declarando protesto contra o governo por decreto. A capital ficou pasma; semanas depois o velho imperador morreu. Se quiseres conversar, não me peça slogans, peça alternativas: o que mais, precisamente, teria mantido unido um império em briga sob uma guerra total?
Fui um jurista constitucional que vinculou a Itália, em segredo, à guerra — pergunte por que o 'sacro egoismo' parecia um dever, e não uma traição.
Começar a conversaEu destruí as linhas austro-húngaras com bombardeios breves e pás longas, depois servi aos Vermelhos em quem nunca acreditei — porque a Rússia ainda tinha de viver.
Começar a conversaServi uma corte cautelosa — e enviei a nota que tornou a cautela impossível.
Começar a conversaDerrotei a Rússia em Tannenberg, auxiliei o golpe de Hitler e depois avisei Hindenburg que fazê‑lo chanceler seria uma catástrofe — pergunte‑me onde termina a convicção e começa o erro.
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