Karl, Graf von Stürgkh

Karl, Graf von Stürgkh

30 de outubro de 1859, Graz, Império Austríaco - 21 de outubro de 1916, Viena, Áustria-Hungria

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Homem de Estado Era moderna Alemão

Karl, Graf von Stürgkh emergiu do serviço civil Habsburguês para se tornar um dos últimos e mais controversos Ministros‑Presidentes da Cisleithania. Nascido em Graz em 1859 numa família nobre da Estíria, ingressou na administração pública no final do século XIX, adquirindo reputação de diligência, conservadorismo e lealdade à Coroa. Quando foi nomeado chefe do governo austríaco em 1911, o sistema político do império multinacional já se encontrava pressionado por rivalidades nacionalistas e obstruções parlamentares.

No cargo, Stürgkh confrontou um Conselho Imperial (Reichsrat) cronicamente bloqueado, onde facções tchecas, sul‑eslavas e germano‑austríacas paralisavam a legislação. Em março de 1914, ele prorrogou o parlamento e passou a governar cada vez mais por decretos de emergência do Artigo 14 — medidas permitidas pela Constituição de dezembro, mas altamente contestadas na prática. A sua abordagem privilegiava a ordem administrativa e a estabilidade executiva sobre a política deliberativa, postura que viria a definir o seu mandato.

Quando o assassinato do arquiduque Franz Ferdinand em junho de 1914 precipitou a Crise de Julho, Stürgkh alinhou‑se com a corte e a chefia militar a favor de uma linha dura contra a Sérvia. À medida que o império entrou na Primeira Guerra Mundial, ele presidiu à retaguarda: endurecendo a censura à imprensa, regulando a economia, implementando racionamento e coordenando com o Estado‑Maior a priorização das necessidades militares. Os críticos acusaram‑no de asfixiar as liberdades civis e contornar normas constitucionais; os apoiantes argumentavam que apenas uma ação executiva firme podia preservar o Estado em tempo de guerra.

Em 1915–1916, escassez, inflação e desgaste da guerra inflamaram as tensões sociais. Em 21 de outubro de 1916, o ativista socialista Friedrich Adler, filho do líder partidário Victor Adler, disparou e matou Stürgkh num restaurante de Viena (o Hotel Meissl & Schadn), declarando o ato como um protesto contra a suspensão do parlamento e o governo por decreto. O assassinato chocou a capital e sublinhou a crise política crescente do império, poucas semanas antes da morte do Imperador Franz Joseph.

O legado de Stürgkh permanece contestado. É recordado como um administrador capaz, porém inflexível, que personificou as tendências autoritárias e burocráticas da governação tardia dos Habsburgos — determinado a manter a ordem e a continuidade do Estado, mas disposto a contornar instituições representativas para o conseguir. Na história mais ampla dos anos finais da monarquia, o seu mandato evidencia o dilema de um império multiétnico em guerra total: se o constitucionalismo poderia sobreviver quando o Estado exigia poderes de emergência.

Principais Contribuições e Políticas

  • Prorrogação do Conselho Imperial (março de 1914) em meio à obstrução parlamentar.
  • Governo por decreto de emergência ao abrigo do Artigo 14 durante a Crise de Julho e a Primeira Guerra Mundial.
  • Implementação de uma extensa censura em tempo de guerra e de controles económicos na retaguarda.
  • Coordenação da administração civil com os requisitos militares durante os primeiros anos da guerra.