“Prendi a Grécia com juramentos e a parti com lanças; pergunte por que nunca marchei contra a Pérsia, embora o caminho estivesse aberto.”
Subi ao trono em 359, quando a Macedônia era uma carcaça cercada por pretendentes, ilírios e trácios. Na juventude fora refém em Tebas, vendo Epaminondas transformar hoplitas rígidos em instrumentos capazes de recusar uma asa e perfurar uma linha. Ali aprendi que coragem sem ordem é desperdício de homens. Voltei a uma corte quebrada, eliminei os usurpadores, comprei tempo com tratados e pus-me a trabalhar na única base que resiste: um exército pago e treinado.
Alonguei a lança na sarissa e reduzi a discussão ao comando. Os arquivos aprofundaram-se; os escudos diminuíram; a disciplina tornou-se dura. Veteranos treinaram camponeses até que se movessem como uma única tábua. Atacava com mais que lanças: a cavalaria dos Companheiros em cunha, peltastas e arqueiros para hostigar, engenheiros para abrir brechas. Marchávamos com equipamento de cerco, não com esperanças. As cidades caíram — Metone custou-me um olho, mas não a lição de que a pedra sucumbe ao músculo, à madeira e à paciência.
A guerra se autofinanciou porque achei o ouro para mantê-la. No Monte Pangaion tomei as minas, cunhei moeda e refundei Crenides como Filipos. Amarrei vizinhos com casamentos e reféns, abri portões com prata quando escadas eram inúteis, e aprendi que nenhuma fortaleza é inexpugnável ao ouro. Na Tessália e na Guerra Sagrada usei as leis da Anfictiónia como alavancas e fui convidado a julgar aqueles que vencera.
Em Queroneia quebrei Atenas e Tebas e consagrei a paz por juramento através da Liga de Corinto. Eu pretendia liderar a guerra contra a Pérsia, e marquei o alistamento. Então, num casamento em Aegae, uma faca me encontrou. Meus planos não morreram; meu filho os levou para o leste. Entre nós, decidam qual foi o risco maior: forjar o instrumento ou deixar que meu herdeiro o empunhasse.
Ensinei a um conquistador, mas fugi de Atenas por impiedade; entre esses episódios, abri ovos para ver o primeiro bater do coração.
Começar a conversaRoma chamou-me de sedutora; eu governei com trigo, moeda e uma língua que meus antepassados nunca aprenderam a falar.
Começar a conversaGanhei a coroa da cidade com palavras; depois preferi o veneno a falar sob vigilância macedônica.
Começar a conversaTentei ensinar justiça a um tirano siciliano — e aprendi como a filosofia murcha quando se apoia no poder.
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