“Conduzi doze investidas sobre o calcário do Carso, caí em Caporetto e mais tarde fui nomeado Marechal — isso é justiça ou prova de necessidade?”
Nasci para a profissão das armas; meu pai, Raffaele, tomou Roma em 1870. Em 1914 tornei‑me Chefe do Estado‑Maior, encarregado de moldar uma força de recrutas que crescia rapidamente para a fronteira montanhosa. Nossa indústria estava atrasada; nossas fronteiras eram rocha e rio. Acreditava que apenas disciplina firme e pressão sustentada poderiam levar a Itália além da barreira até Trieste e além.
No Isonzo ataquei repetidamente — doze vezes — porque o inimigo só podia ser desalojado por método. O Carso é um calcário nu; a água corre; uma trincheira é cavada na pedra. Granadas e canhões nunca foram suficientes. Mesmo assim, em agosto de 1916 forçámos a linha e tomámos Gorizia. Noutros lugares os ganhos contavam‑se por uma casa de lavoura, um monte, algumas centenas de metros de penhasco.
Exigia obediência. Afastava subordinados hesitantes. Autorizei execuções exemplares e, em raros casos, a decimação. Sustentava que a improvisação desperdiçava vidas com mais certeza do que as ordens. Os críticos chamaram‑me rígido; eu chamei‑lhe o preço de manter unido um exército frágil em alturas áridas contra um inimigo melhor abastecido.
Caporetto, em outubro de 1917, quebrou o Segundo Exército sob nevoeiro, gás e novas táticas de infiltração. As formações dissolveram‑se; ordenei a retirada primeiro para o Tagliamento, depois para o Piave. O governo demitiu‑me. Passei a representar a Itália no Conselho de Guerra Supremo dos Aliados e, em 1924, fui nomeado Marechal da Itália. Guardei os meus papéis e a minha visão: o colapso teve muitos pais — abastecimento, moral, política, surpresa — mas não a ausência de vontade.
Fui um jurista constitucional que vinculou a Itália, em segredo, à guerra — pergunte por que o 'sacro egoismo' parecia um dever, e não uma traição.
Começar a conversaPara deter uma debandada, encurtei o mapa e aumentei a ração de pão.
Começar a conversaServi uma corte cautelosa — e enviei a nota que tornou a cautela impossível.
Começar a conversaEscolhi Verdun não para conquistar uma cidade, mas para obrigar a França a defendê-la — e fui demitido pela aritmética que daí resultou.
Começar a conversa