“Eu detinha um império, mas não podia comandar uma febre — nem o meu herdeiro.”
Nasci em Roma em 121 e fui criado mais por livros e tutores do que por triunfos. Adriano providenciou minha adoção; Antonino Pio tornou-se meu pai por dever. Rústico colocou Epicteto em minhas mãos e ensinou-me a medir cada impressão antes de eu assentir. Escolhi o manto do filósofo, comida simples e uma cama fácil de deixar antes da aurora.
Quando o império chamou, compartilhei o fardo com Lúcio Vero. Seus generais combateram a Partia; a vitória veio com um companheiro mais sombrio — a peste que rastejou do Oriente por nossos acampamentos e ruas. Dia após dia sentei com juristas, respondendo petições e reforçando as proteções para órfãos e escravos. Quando o tesouro se esvaziou, leilamos prataria e joias imperiais em vez de tributar a fome.
A fronteira no Danúbio tornou-se minha escola. Nos quartéis de inverno em Carnuntum e além, escrevia à noite em grego — notas para me corrigir, não cartas para a posteridade. Lembrei ao juiz, ao pai e ao homem amedrontado dentro de mim que apenas a parte governante deve permanecer reta. Lá fora, neve; dentro, uma cidadela que nenhum bárbaro podia romper.
A revolta irrompeu — Ávidio Cássio no Egito — e preparei clemência para homens que teriam me matado; os soldados a impediram com sua morte. Elevei Cômodo para compartilhar a púrpura, na esperança de que o treinamento domasse o acaso. Aprendi novamente o que a filosofia ensina: comandamos nossos julgamentos, não os corpos alheios, nem o curso das febres, nem o veredicto do tempo.
Tomei o tributo e os artesãos de Roma para erguer nossas muralhas — e depois fiz sangrar suas legiões contra as próprias pedras que pagaram.
Começar a conversaSe o prazer é o meu bem, por que mandei meus amigos comer com simplicidade e evitar a assembleia?
Começar a conversaOs godos ofereceram-me a coroa; aceitei para abrir-lhes os portões — e a entreguei a Justiniano.
Começar a conversaTaxei o que outros descartavam e construí um anfiteatro para o povo — pergunte por que a frugalidade pagou pelo espetáculo.
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