Raymond Nicolas Landry Poincaré
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Raymond Poincaré (1860–1934) foi um advogado, académico e estadista francês cuja carreira atravessou os mais graves provações da Terceira República. Nascido em Bar-le-Duc numa família de raízes da Lorena e primo em primeiro grau do matemático Henri Poincaré, inscreveu-se na ordem dos advogados de Paris em 1882, foi eleito deputado em 1887 e ascendeu rapidamente como ministro pragmático e laborioso. Serviu como Ministro da Instrução Pública e, mais tarde, das Finanças, adquirindo reputação por rigor administrativo e probidade constitucional; em 1909 foi eleito para a Académie française.
Em janeiro de 1912, Poincaré tornou-se Primeiro‑Ministro e Ministro dos Negócios Estrangeiros, defendendo a preparação militar e a lei do serviço militar de três anos de 1913. Eleito Presidente da República em 1913, cultivou alianças — notadamente com a Rússia, que visitou em julho de 1914 — enquanto procurava cumprir as obrigações defensivas da França em meio à crescente tensão europeia na véspera da Grande Guerra.
Como Presidente durante a Primeira Guerra Mundial, Poincaré apelou à Union sacrée, mobilizando as facções políticas em torno da defesa nacional. Embora a condução da guerra tenha recaído em grande parte sobre o governo e os generais, foi um chefe de Estado activo — visitando a frente, mantendo o moral e preservando o equilíbrio constitucional mesmo quando as medidas de emergência ampliaram o poder executivo. Os seus diários de guerra em vários volumes, Au service de la France, registam as pressões da diplomacia, da política de coligação e do comando em guerra total.
Após deixar a presidência em 1920, Poincaré regressou como Primeiro‑Ministro (1922–1924), adotando postura firme sobre as reparações alemãs, culminando com a ocupação do Ruhr em 1923 para fazer cumprir as obrigações do tratado. Derrotado pelo Cartel des gauches em 1924, voltou uma vez mais (1926–1929) para estabilizar as finanças e a moeda de França. O chamado franco Poincaré — um regresso a um padrão-ouro desvalorizado — restabeleceu a confiança através de disciplina orçamental, reforma fiscal e ortodoxia monetária cautelosa.
Medido, legalista e reservado, Poincaré personificou a tradição republicana conservadora: comprometido com as formas parlamentares, cauteloso face à demagogia e convicto de que a segurança da França dependia de alianças credíveis e solidez fiscal. Embora os críticos tenham censurado a sua rigidez nas reparações, avaliações posteriores reconhecem a sua firmeza na guerra e a sua competência tecnocrática na paz. Morreu em Paris em 1934, deixando um legado que uniu resistência em combate e reconstrução financeira.
O que deixo
- Condução da República Francesa através da Primeira Guerra Mundial e o apelo à Union sacrée.
- Uma política decisiva — embora controversa — sobre reparações, incluindo a ocupação do Ruhr em 1923.
- Estabilização da moeda (o «franco Poincaré») e restabelecimento da credibilidade fiscal no final dos anos 1920.
- Extensos memórias (Au service de la France) documentando a alta política, a diplomacia e o governo em tempo de guerra.