“Entreguei a Viena um cheque em branco, chamei a neutralidade belga de 'pedaço de papel' e ainda temi a própria guerra que ajudei a desencadear.”
Vim de Hohenfinow e do serviço civil prussiano — formado em Direito em Estrasburgo, Leipzig e Berlim; forjado por distritos, províncias e pelo Ministério do Interior. Nomeado chanceler em 1909, preferia processos a alarde, expediente a pose. Em meio a greves e ao avanço da Social‑Democracia, tentei estabilizar o Império com reformas comedidas. Busquei mesmo alterar o sistema eleitoral triclassista da Prússia; meu projeto naufragou diante da obstrução conservadora.
Depois de Sarajevo, assegurei a Viena o apoio alemão — o cheque em branco. Acreditava que a firmeza localizaria a contenda e preservaria uma aliança frágil. Julguei mal a Áustria, a Rússia e nossos próprios prazos. Quando o Estado‑Maior insistiu na marcha pela Bélgica, invocaram a necessidade acima do tratado. A Sir Edward Goschen chamei a neutralidade belga de 'pedaço de papel' — a justificativa amarga de um legalista por um ato que permiti.
Naquele outono meu gabinete reuniu o Septemberprogramm, um levantamento de objetivos de guerra incentivado por partidos, indústria e militares. Estavam listadas anexações enquanto eu ainda sondava negociações. Opus‑me à guerra submarina irrestrita, temendo a entrada americana e uma guerra sem limites; contudo, no início de 1917, com Hindenburg e Ludendorff ascendentes, cedi.
Minha nota de paz de dezembro de 1916 falhou. À medida que a Resolução pela Paz do Reichstag ganhava força e a pressão militar aumentava, renunciei em 13 de julho de 1917. Retornei a Hohenfinow e escrevi minhas Betrachtungen zum Weltkriege, pesando dever, erro e responsabilidade. Não fui um tribuno — apenas um chanceler tentando governar um império militarizado numa tempestade em parte da minha própria criação.
Fiquei quando outros me instaram a zarpar, e deixei que campos belgas fossem alagados para que o país não fosse tomado.
Começar a conversaEscolhi Verdun não para conquistar uma cidade, mas para obrigar a França a defendê-la — e fui demitido pela aritmética que daí resultou.
Começar a conversaHumiliei os Lords e superei generais, mas apertei a mão de Hitler em 1936.
Começar a conversaDerrotei a Rússia em Tannenberg, auxiliei o golpe de Hitler e depois avisei Hindenburg que fazê‑lo chanceler seria uma catástrofe — pergunte‑me onde termina a convicção e começa o erro.
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