Theobald von Bethmann Hollweg

Theobald von Bethmann Hollweg

29 de novembro de 1856, Hohenfinow, Reino da Prússia - 1 de janeiro de 1921, Hohenfinow, Alemanha

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Homem de Estado Era moderna Alemão

Theobald Theodor Friedrich Alfred von Bethmann Hollweg (1856–1921) foi um estadista alemão que serviu como Reichskanzler (Chanceler) de 1909 a 1917. Nascido numa família prussiana proeminente em Hohenfinow, estudou Direito em Strasbourg, Leipzig e Berlim antes de ingressar na administração prussiana. Ascendeu por cargos distritais e provinciais até se tornar Ministro do Interior da Prússia (1905) e, mais tarde, Vice‑Chanceler, sucedendo a Bernhard von Bülow como Chanceler em julho de 1909.

Administrador cauteloso e ligado ao dever, Bethmann Hollweg procurou estabilizar a política interna da Alemanha em meio ao rápido crescimento do Partido Social‑Democrata e ao descontentamento social. Favorecia reformas moderadas, nomeadamente uma tentativa — que acabou por falhar — de reformar o sistema eleitoral prussiano das três classes, ao mesmo tempo que tentava dissipar as tensões internacionais deixadas pela corrida naval e por crises imperiais anteriores. O seu estilo era legalista e conciliador, mas cada vez mais constrangido pela corte do Kaiser, pelos chefes militares e por grupos de pressão poderosos.

Durante a Crise de Julho de 1914, Bethmann Hollweg endossou o apoio incondicional à Áustria‑Hungria — mais tarde apelidado de “cheque em branco” — na esperança de localizar o conflito após o assassinato em Sarajevo e preservar a aliança. Os acontecimentos ultrapassaram os seus cálculos. A decisão da Alemanha de invadir a Bélgica para executar o Plano Schlieffen trouxe a Grã‑Bretanha para a guerra; ao justificar o movimento, referiu‑se notoriamente à neutralidade belga como um “pedaço de papel”, expressão que assombrou a sua reputação.

Como chanceler em tempo de guerra, tentou gerir pressões divergentes. Supervisionou a elaboração do Septemberprogramm (1914), que delineava amplos objetivos de guerra alemães, mesmo enquanto, intermitentemente, procurava negociação. Opoôs‑se à guerra submarina irrestrita por receio da intervenção americana, mas no início de 1917 cedeu ao alto comando Hindenburg–Ludendorff. A sua nota de paz de dezembro de 1916 falhou e, após a Resolução pela Paz do Reichstag (julho de 1917) e o agravamento das pressões militar‑políticas, renunciou em 13 de julho de 1917.

Após deixar o cargo, Bethmann Hollweg retirou‑se para Hohenfinow, onde reflectiu sobre responsabilidade e derrota nas suas memórias, Betrachtungen zum Weltkriege (1919). Morreu ali em 1921. Os historiadores continuam a debater o seu papel: um funcionário pragmático sobrecarregado pelo militarismo e pelas circunstâncias, ou um arquitecto-chave de decisões que tornaram uma guerra europeia geral mais provável e mais devastadora.

Legado e debates

  • Responsabilidade pelo início da Primeira Guerra Mundial e o significado do “cheque em branco”.
  • Legalidade e moralidade da violação da neutralidade belga — “um pedaço de papel”.
  • Peso e intenção do Septemberprogramm como declaração dos objetivos de guerra alemães.
  • Sinceridade e oportunidade da sua tentativa de paz de 1916 versus a deferência ao alto comando militar.