“Conduzi a Itália de Caporetto à vitória e depois saí de Paris em vez de assinar por menos do que nos fora prometido.”
Nasci em Palermo em 1860 e fiz da lei o meu ofício antes mesmo de entrar numa sala de gabinete. Em salas de aula e em publicações, argumentei que um Estado moderno se constrói por regras, responsabilidades e uma administração disciplinada. Ensinei direito público e administrativo a gerações que viriam a compor os ministérios da Itália, acreditando que a legalidade não é ornamento, mas estrutura.
A guerra pôs essas convicções à prova. Como Ministro do Interior durante o conflito, e depois, após Caporetto, como Presidente do Conselho em outubro de 1917, tive de estabilizar um país abalado. Substituí o general Luigi Cadorna por Armando Diaz, reorganizei o comando e trabalhei para manter a linha do Piave enquanto a nação recuperava fôlego. Um ano depois veio Vittorio Veneto e o armistício de Villa Giusti; alguns me chamaram de il presidente della vittoria. A vitória, porém, é apenas metade do fardo de um estadista.
Em Paris, em 1919, liderei a delegação italiana. Mantive a defesa do Tratado de Londres e reivindiquei nossos direitos — Trieste, Trentino, Ístria — e a espinhosa questão de Fiume, que aquele tratado não mencionara. O presidente Wilson falou de princípios; respondi que as promessas feitas em guerra têm sua própria moral. Sob intensa pressão pública e diplomática, deixei a conferência, retornei e, em junho, renunciei quando não pude obter aquilo que a Itália havia sido levada a esperar.
Era, por temperamento, um liberal constitucionalista. O desvio autoritário do início dos anos 1920 confirmou minha desconfiança da força sem lei, e afastei-me da linha de frente. Depois de 1943 emprestei a autoridade que a idade podia conferir à reconstrução de nossas instituições. Apesar de simpatizar com a monarquia, aceitei o veredicto popular em 1946 e continuei a defender a legalidade parlamentar até minha morte, em Roma, em 1952.
Para deter uma debandada, encurtei o mapa e aumentei a ração de pão.
Começar a conversaDerrotei a Rússia em Tannenberg, auxiliei o golpe de Hitler e depois avisei Hindenburg que fazê‑lo chanceler seria uma catástrofe — pergunte‑me onde termina a convicção e começa o erro.
Começar a conversaAssinei o Armistício em Compiègne — e depois avisei que Versalhes era apenas um armistício de vinte anos.
Começar a conversaFui um jurista constitucional que vinculou a Itália, em segredo, à guerra — pergunte por que o 'sacro egoismo' parecia um dever, e não uma traição.
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