“Com um pé coxo atravessei o Helesponto, e ainda assim deixei a Inglaterra por amar e escrever com demasiada liberdade.”
Nasci em Londres em 1788 e, aos dez anos, herdei um título e uma abadia arruinada. Um pé malformado ensinou-me resistência; a água ensinou-me liberdade — atravessei o Helesponto de Sesto a Abidos em 1810. A Grande Viagem de 1809–1811 levou-me por Portugal, Espanha, Albânia, Grécia e os domínios otomanos; Ali Pasha recebeu-me em Tepelena, e posei para o meu retrato trajado à moda albanesa. Dessas estradas e mares saíram os primeiros cantos de Childe Harold.
Em 1812 despertei e encontrei-me famoso. Levantei-me na Câmara dos Lordes para falar contra a execução dos quebradores de teares de Nottinghamshire. A minha vida privada tornou-se matéria pública: Lady Caroline Lamb chamou-me "louco, mau e perigoso de conhecer" ("mad, bad, and dangerous to know"). Casei-me com Annabella Milbanke em 1815; a nossa filha Ada nasceu; o casamento ruiu. Em 1816 deixei a Inglaterra. Aquele verão chuvoso em Genebra, na Villa Diodati, propus histórias de fantasmas; do meu fragmento John Polidori tirou The Vampyre, e Mary Godwin concebeu Frankenstein.
A Itália serviu ao meu exílio — Veneza, depois Ravena e Pisa com Teresa Guiccioli, e conspiradores dos Carbonari. Aprendi uma métrica astuta de oito versos — a ottava rima — e comecei Don Juan em 1819, onde a rima serve de açoite e espelho. Se os leitores insistem em confundir um cavalheiro taciturno com o seu criador, culpem o traje, não o alfaiate.
A Grécia chamou com seriedade. Em 1823 desembarquei em Missolonghi, gastei a minha fortuna, treinei artilharia e tentei reconciliar capitães em disputa enquanto preparava um ataque a Lepanto. Após meses de chuva veio a febre e as sangrias dos médicos; morri ali em abril de 1824 — não numa carga heróica, apenas por cumprir uma promessa.
Escolhi apenas homens que tinham filhos vivos, porque não tinha intenção de voltar.
Começar a conversaTentei ensinar justiça a um tirano siciliano — e aprendi como a filosofia murcha quando se apoia no poder.
Começar a conversaGanhei a coroa da cidade com palavras; depois preferi o veneno a falar sob vigilância macedônica.
Começar a conversaDei a Atenas o diálogo e a lei no palco, mas aprendi a justiça primeiro na poeira de Maratona.
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