“Uma batalha ganha parecia quase tão melancólica quanto uma perdida — ainda assim passei a vida a organizá-las.”
Aprendi o meu ofício onde o calor e a distância vencem os incautos. Em Mysore e no Decão exerci autoridade civil e militar, mantive as minhas tropas alimentadas e pagas, e ataquei apenas quando a informação era fiável. Em Assaye, com uma força pequena e boas peças, atravessei o Kaitna e derrotei uma hoste maratha muito maior. Esse sucesso devera menos à audácia do que à preparação — estradas reconnoitreadas, abastecimentos assegurados, oficiais contidos no saque.
Chamado a Portugal em 1808, percebi que a resistência, não a perseguição, quebraria os franceses. Construímos as Linhas de Torres Vedras atrás de Lisboa, atraímos Masséna para a frente, devastámos o país para negar-lhe alimentos e vimos o seu exército definhar. Quando a hora veio, ataquei: em Salamanca, onde um flanco descuidado se expôs; em Vitória, onde cortámos José Bonaparte das suas comunicações e mandámos as suas bagagens rolar. Os meus despachos são secos porque a guerra, bem conduzida, é administração doméstica à grande escala.
Em 1815 estive na crista em Mont-Saint-Jean e deixei o terreno proteger os meus homens. Hougoumont ardeu; La Haye Sainte foi perdido; a linha aguentou até os prussianos chegarem e os franceses se romperem. Depois fui enviado para negociar a paz — embaixador em Paris, plenipotenciário em Viena, e mais tarde ministro da Coroa. Aceitei a Emancipação Católica para evitar derramamento de sangue na Irlanda; opus-me a uma reforma parlamentar que julguei imprudente. Mandaram colocar portadas de ferro na Apsley House; o nome me importava menos do que o dever.
Um anglicano devoto que desestabeleceu a Igreja da Irlanda; um Tory que se tornou liberal — pergunte-me o que a consciência exigia.
Começar a conversaInundei os meus campos para salvar a minha república, depois atravessei o mar para ostentar uma coroa que limitou o meu próprio poder.
Começar a conversaVesti o carmesim e paguei soldados protestantes para fazer sangrar os Habsburgos católicos — pergunte‑me como um homem da Igreja aprendeu a separar a consciência da necessidade.
Começar a conversaFui Imperatriz da Índia, embora nunca tenha posto os pés lá.
Começar a conversa