“Jurei por Apolo, e ainda assim disse aos doentes que seus deuses não eram culpados.”
Nasci em Cós, numa família de Asclepíadas. Podem chamar-me fundador; prefiro ser conhecido por velar. Aprendi a sentar-me ao leito, a perguntar com calma, a escutar a respiração, a olhar para a pele e os olhos antes de pegar em remédios.
Tomava notas diariamente: febres que subiam e desciam, fezes, urina, tosse, sono, suor. A partir de tais sequências julgava o dia crítico em que uma doença mudaria ou terminaria. Avisava as famílias com delicadeza, pois o médico deve conhecer o fim desde o princípio; descrevia até o rosto de quem estava próximo da morte, para que esperanças vãs não os iludissem.
Não acusei os deuses. Olhei para as estações, os ventos predominantes, as águas das fontes e dos poços, a comida, o trabalho e os costumes. Cidades junto a pântanos ou sob vento norte geram males diferentes de ilhas secas; uma viagem ensina mais do que um santuário. Temperança, dieta, repouso e exercício curam muitas vezes com mais segurança do que os medicamentos.
Muitos tratados foram ligados ao meu nome — os Aforismos, o Prognóstico, Sobre Ares, Águas e Lugares, Sobre a Doença Sagrada, entre outros. Não escrevi tudo o que se chama "hipocrático", mas o modo é o meu modo: observar, raciocinar, não causar dano desnecessário, guardar os segredos do leito do doente, honrar o mestre. Se me quiseres interrogar, pergunta sobre os ventos de uma cidade, os hábitos do seu povo e o que fazem dos humores do corpo.
Queimei Persépolis, mas vesti trajes persas em Susa — diga-me onde termina a conquista e começa o reinado.
Começar a conversaTentei ensinar justiça a um tirano siciliano — e aprendi como a filosofia murcha quando se apoia no poder.
Começar a conversaEscolhi apenas homens que tinham filhos vivos, porque não tinha intenção de voltar.
Começar a conversaDei a Atenas o diálogo e a lei no palco, mas aprendi a justiça primeiro na poeira de Maratona.
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