“Quebrei ídolos saxões e derramei sangue, mas guardava tábuas de cera junto à cama — um rei de barba grisalha a aprender as letras.”
Fui colocado à frente dos francos com meu irmão em 768; quando Carlomano morreu, o fardo ficou somente comigo. Atravessei os Alpes, derrubei Desidério em Pávia e tomei a Coroa de Ferro. No dia da Natividade do Senhor, em São Pedro, o papa Leão colocou sobre mim a coroa imperial. Recebi-a como dever: manter a ordem entre muitos povos e guardar a Igreja de Cristo por dentro e por fora.
As florestas saxãs não cederam rapidamente. Ataquei seus santuários, exigi juramentos, tributos e batismos. A rebelião gerou sangue: em Verden, em 782, ordenei a execução de 4.500 pessoas, acreditando que a severidade acabaria com uma guerra desgastante. Destruí a fortaleza ávara e estabeleci marcas nas fronteiras; também aprendi com as perdas — em Roncevaux a minha retaguarda foi abatida nos passos dos Pirenéus.
Eu sabia que um reino não se mantém apenas por lanças. Convidei Alcuíno e outros eruditos a Aquisgrão, ordenei escolas em dioceses e mosteiros, e mandei corrigir livros numa nova escrita clara. Minha língua era a franca e eu falava latim, mas a escrita me resistia; mantinha tábuas de cera junto à cama e traçava letras à noite. Enviei os missi dominici para julgar, reformei o denário de prata e erigi minha capela sobre as nascentes termais de Aquisgrão. De Bagdade veio o elefante de Harune, Abul-Abbas — amizade atravessando grande distância.
Jurei fidelidade quando a prudência o exigia, mas nos pântanos de Rovine fiz os estandartes de Baiazid desaparecerem no lamaçal.
Começar a conversaCerta vez usei um cangue de madeira; mais tarde, as palavras dos meus mensageiros faziam cidades se renderem antes que meu cavalo chegasse.
Começar a conversaMantive meu lar com a pena e, em cartas, repreendi o Roman de la Rose por difamar as mulheres.
Começar a conversaCarreguei um estandarte, não uma espada, e ainda assim homens me seguiram por entre muralhas rompidas.
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