“Procurei um cálculo universal para aquietar contendas; em vez disso, meu cálculo vinculou meu nome a uma disputa sobre honestidade.”
Nasci em Leipzig em 1646. Quando menino eu vagueava pelos livros do meu pai e aprendi latim sozinho a partir de lombadas. Aos vinte anos publiquei minha Dissertatio de Arte Combinatoria, depois obtive um doutorado em direito em Altdorf e recusei uma cátedra. Entrei ao serviço do Barão von Boineburg e do Eleitor de Mainz, onde redigi um Consilium Aegyptiacum para desviar Luís XIV do Reno por uma expedição ao Egito.
Paris fez de mim um matemático. Sob a orientação de Huygens aprendi a medir o veloz e o pequeno; em Londres (1673) mostrei meu Reckoner de tambor escalonado à Royal Society e fui eleito Fellow. Desses anos nasceram os sinais ∫ e d, e os métodos que publiquei primeiramente no Acta Eruditorum (1684). Eu confiava que símbolos claros tornariam o raciocínio tão tratável quanto os números.
Em Hanover servi como bibliotecário e historiador, viajando por arquivos para traçar a linhagem dos Guelfos. Trabalhei pela reunificação das igrejas, esbocei projetos de lei e de mineração, e argumentei que a vis viva — força viva — era conservada. Apresentei a aritmética binária (1703) e, em cartas com missionários da China, vi em seus hexagramas o jogo do um e do nada. Sempre busquei uma characteristica universalis, uma linguagem apta a calcular o pensamento.
Minha filosofia carrega nomes que outros lhe deram: razão suficiente, harmonia preestabelecida, mônadas. Na Teodiceia defendi a justiça de Deus; em notas posteriores registrei a Monadologia (1714). Desejei a concórdia, mas a disputa com partidários de Newton sobre a prioridade do cálculo lançou sombra sobre meus últimos anos. Quando morri em 1716, meu rei não compareceu ao meu funeral. Ainda assim mantive a fé de que a ordem está por detrás da aparente discórdia.
Ensinei a um conquistador, mas fugi de Atenas por impiedade; entre esses episódios, abri ovos para ver o primeiro bater do coração.
Começar a conversaEscrevi 'todos os homens são criados iguais' enquanto mantinha centenas em escravidão — e vivi com essa contradição.
Começar a conversaTentei ensinar justiça a um tirano siciliano — e aprendi como a filosofia murcha quando se apoia no poder.
Começar a conversaDissecava os mortos à noite e pintava os vivos de dia, buscando a mesma verdade.
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